O Primeiro-Ministro visitou Leiria, Ansião, Coimbra e Pombal, quatro concelhos muito afetados
pela tempestade Kristin, que fustigou Portugal na semana passada
Num momento de tensão nas relações transatlânticas, o Secretário-Geral da NATO esteve na Comissão dos Assuntos Externos para esclarecer o papel da Aliança na garantia da segurança europeia, estabilidade no Ártico, em particular no que respeita à Gronelândia
A Câmara de Vagos aprovou a proposta de orçamento municipal para 2026, que ronda os 30 milhões de euros e que regista uma diminuição de cerca de dois milhões de euros face ao ano anterior
José Manuel Bolieiro, Presidente do PSD/Açores, destacou no sábado a importância “da escola cívica da JSD/Açores na história da democracia portuguesa” e “na afirmação autonómica e política”
A semana que deveria ter sido marcada pelo debate democrático em torno da segunda volta das eleições presidenciais acabou submersa por uma realidade muito mais urgente e devastadora. A passagem da tempestade Kristin pelo centro do país, com particular violência na região de Leiria, alterou por completo a agenda pública e expôs, de forma crua, a vulnerabilidade das comunidades perante fenómenos meteorológicos extremos que se tornam cada vez mais frequentes.
A sucessão de acontecimentos foi rápida e implacável. Em poucas horas, infraestruturas colapsaram, habitações ficaram destruídas, estradas foram cortadas, linhas de água transbordaram e milhares de pessoas viram a sua vida quotidiana interrompida. Tratou-se da força excecional de um fenómeno atmosférico cuja intensidade ultrapassou qualquer margem de contenção possível. A violência dos ventos e das chuvas revelou-se de tal ordem que, mesmo com avisos prévios, nada poderia ter impedido a dimensão dos estragos.
Perante um cenário desta magnitude, é habitual que surjam acusações precipitadas e leituras simplistas. Mas, desta vez, o essencial impôs-se com clareza. Autarcas, Governo e entidades de proteção civil ativaram mecanismos de emergência, reforçaram a articulação institucional e assumiram, com sentido de responsabilidade, a coordenação de um processo que se sabe longo, exigente e emocionalmente duro para as populações afetadas.
Importa sublinhar o que muitas vezes passa despercebido: o espírito de missão de quem esteve – e continua a estar – no terreno. Funcionários públicos que reorganizaram serviços em poucas horas; bombeiros que trabalharam sem descanso; forças de segurança que garantiram acessos, segurança e apoio logístico; equipas municipais e distritais de proteção civil que coordenaram operações complexas em condições extremas. A resposta coletiva destas estruturas é extraordinária.
Mas talvez o sinal mais luminoso destes dias difíceis tenha vindo da sociedade. Milhares de portugueses e muitos imigrantes mobilizaram-se espontaneamente para apoiar quem perdeu tudo ou quase tudo. Organizam recolhas, distribuem bens essenciais, ajudam a limpar casas, reconstroem muros, oferecem transporte, alojamento, tempo e força de braços.
Num tempo em que o debate público parece frequentemente dominado pelo ruído, pela polarização e pela desconfiança, a resposta à tempestade Kristin recorda-nos algo essencial: quando a adversidade atinge o país, a solidariedade emerge como a nossa maior força coletiva. É essa capacidade de união – entre instituições, autarcas, Governo, profissionais e cidadãos – que permite transformar destruição em reconstrução e incerteza em esperança.
Emília Santos
Diretora Povo Livre
O Primeiro-Ministro garantiu que o valor total dos apoios públicos para responder às consequências da tempestade Kristin será de 2.500 milhões de euros, estimando que tenham estado ou estejam no terreno 34 mil operacionais.
Luís Montenegro falava no final da reunião extraordinária do Conselho de Ministros, que decorreu no domingo, 1 de fevereiro, na residência oficial, em São Bento, e durou cerca de três horas.
“Desde a primeira hora, mantemos com a serenidade e o sentido de responsabilidade um espírito de cooperação e de solidariedade absolutos, envolvendo no terreno cerca de 34 mil operacionais, desde os nossos elementos das forças e serviços de segurança e da Proteção Civil, às Forças Armadas, a elementos de vários departamentos do Estado, das infraestruturas, dos serviços sociais, até ao inestimável apoio dos funcionários das nossas autarquias locais”, assegurou.
Luís Montenegro afirmou que “tem sido um trabalho constante, tem sido um trabalho duro”, que tem contado com “uma dedicação absolutamente inexcedível de todos os membros do Governo” e com o “espírito de entreajuda e solidariedade dos cidadãos”.
“Quero deixar uma palavra de esperança àqueles que se encontram feridos, quero deixar uma palavra de presença e conforto àqueles que se têm sentido mais sós, àqueles que se têm sentido mais distantes numa altura onde muito daquilo que é mais essencial não está disponível ou não esteve disponível, desde logo o fornecimento de energia elétrica, as comunicações, o abastecimento de água”, disse.
O Primeiro-Ministro afirmou que as prioridades do Governo foram dirigidas “para que ninguém se sentisse sozinho”. “Desde o primeiro minuto, todas as forças no terreno fizeram a recuperação das condições de mobilidade para que todos estivessem contactáveis e à distância de um transporte, em caso de necessidade, e esse trabalho para quem esteve nas zonas afetadas foi um trabalho absolutamente incrível para desobstruir todas as vias que ficaram intransitáveis”, disse.
Luís Montenegro referiu que o trabalho de recuperação do fornecimento de energia elétrica já foi feito na sua maioria, mas admitiu que “ainda afeta cerca de 167 mil lares dos mais de um milhão que foram afetados”.
“Estamos a mobilizar toda a nossa capacidade no setor público, no setor social e no setor privado para que tudo esteja restabelecido o quanto antes”, assegurou.
Na quinta-feira, 29 de janeiro, o Primeiro-Ministro esteve em três cidades muito atingidas pela intempérie: Leiria, Ansião e Coimbra. Na terça-feira, 3 de fevereiro, Luís Montenegro visitou um reservatório de águas e uma empresa de plásticos em Pombal, acompanhado do ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, e do Presidente da Estrutura de Missão para Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes, criada para responder aos efeitos da tempestade Kristin.
O Governo decretou situação de calamidade até às 23h59 de dia 8 de fevereiro em 69 municípios.


Na quinta-feira, o Primeiro-Ministro alertou Roberta Metsola sobre a importância do Parlamento Europeu para “a concretização do apoio rápido e efetivo” da União Europeia (UE) na recuperação dos estragos causados pela passagem da depressão Kristin em Portugal.
O chefe do Governo português respondeu desta forma, na rede social X, à manifestação de solidariedade pela presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.
Metsola referiu, também na rede social X, que a Europa “está solidária com os Portugueses neste momento em que continuam a enfrentar as consequências da tempestade Kristin”.
“Em nome do Parlamento Europeu, partilho da dor daqueles que perderam entes queridos e os meus pensamentos estão com todos os afetados. Agradeço também a todos os que trabalham incansavelmente, dia e noite, para proteger vidas e restabelecer os serviços”, sublinhou ainda, numa nota em português.
Também a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou a Luís Montenegro “a mais profunda solidariedade” pelos mortos e danos da tempestade, assegurando que a UE “está pronta para apoiar a recuperação de Portugal através dos nossos mecanismos mais rápidos e eficazes”.
O Primeiro-Ministro adiantou que o Governo português está em contacto com a Comissão Europeia para se desenhar e “perspetivar formas de financiamento” para a recuperação das zonas afetadas pela depressão Kristin. “Estamos em contacto com a Comissão Europeia e com o gabinete da senhora presidente da Comissão Europeia para tentarmos desenhar e perspetivar formas de financiamento para ajudarmos as pessoas, as famílias e as empresas, e também as entidades públicas, a superarem este momento”, disse.
Van der Leyen adiantou na mesma publicação na rede social X que o comissário europeu da Energia e Habitação, Dan Joergensen, iria “colaborar com as autoridades, que continuam a avaliar a dimensão total dos danos”, numa visita que já estava prevista – focada nos temas no alojamento acessível e das interligações – e que incluiu agora esta dimensão dos estragos do mau tempo. Dan Joergensen indicou que o executivo comunitário estava disponível para prestar apoio, bem como em “contacto estreito” com as autoridades em Portugal e com a Rede Europeia de Operadores de Redes de Transporte de Eletricidade devido aos cortes resultantes da tempestade.
O Governo anunciou no domingo, 1 de fevereiro, um pacote de apoios que poderá atingir os 2,5 mil milhões de euros para responder aos estragos provocados pela depressão Kristin, abrangendo famílias, empresas e entidades públicas.
As 16 medidas, apresentadas pelo Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, foram aprovadas na reunião extraordinária do Conselho de Ministros, que decidiu também prolongar até 8 de fevereiro a situação de calamidade em 69 municípios, mantendo em vigor os mecanismos excecionais de coordenação e resposta.
Apoios à reconstrução da habitação, agricultura e floresta até 10 mil euros
O Governo aprovou apoios para obras na habitação própria e permanente até 10 mil euros, sem exigência de documentação quando não exista seguro aplicável, mediante vistoria das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e das câmaras municipais. O mesmo regime aplica-se a prejuízos na agricultura e na floresta.
Intervenções urgentes em coberturas e telhados
Decorreu em Leiria, dia 2, uma reunião com a Associação dos Industriais da Construção para organizar respostas rápidas na reparação de telhados e coberturas, considerados prioritários para evitar o agravamento dos prejuízos.
Criação de estrutura de missão para a recuperação
Foi criada uma estrutura de missão, sedeada em Leiria, para coordenar a recuperação das zonas afetadas, liderada por Paulo Fernandes, antigo Presidente da Câmara do Fundão, articulando ministérios, autarquias, CCDR, setor social e empresas.
Aceleração das peritagens dos seguros
As seguradoras comprometeram-se a realizar 80% das vistorias nos próximos 15 dias. Em muitos casos, o registo fotográfico será suficiente para ativar seguros e permitir reparações imediatas.
Dispensa de licenciamento para obras de reconstrução
As obras de reconstrução, públicas e privadas, ficam dispensadas de licenciamento e de controlo prévio urbanístico, ambiental e administrativo, ao abrigo do regime excecional.
Apoios sociais diretos às famílias
Famílias em situação de carência ou perda de rendimentos poderão aceder a apoios da Segurança Social até 537 euros por pessoa ou 1.075 euros por agregado familiar.
Apoios às instituições particulares de solidariedade social
Serão disponibilizados apoios financeiros às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e entidades afins para reforço da resposta social nas zonas afetadas.
Isenção de contribuições e “lay-off” simplificado
As empresas afetadas beneficiarão de isenção de contribuições para a Segurança Social durante seis meses e de um regime simplificado de lay-off por três meses.
Moratórias no crédito à habitação e às empresas
Foi acordada uma moratória de 90 dias nos empréstimos às empresas e no crédito à habitação própria e permanente, com possibilidade de extensão por mais 12 meses após esse período.
Moratória fiscal até 31 de março
As obrigações fiscais entre 28 de janeiro e 31 de março ficam adiadas para abril.
Linha de crédito de 500 milhões de euros para tesouraria
Será criada uma linha de crédito de 500 milhões de euros para necessidades de tesouraria das empresas e de outras pessoas coletivas, que o Governo estima ficar disponível dentro de uma semana.
Linha de crédito de mil milhões de euros para recuperação empresarial
Uma segunda linha de crédito, no valor de mil milhões de euros, destina-se à recuperação das empresas na parte não coberta por seguros, devendo estar operacional dentro de cerca de três semanas.
400 milhões de euros para infraestruturas rodoviárias e ferroviárias
O Governo vai transferir 400 milhões de euros do Orçamento do Estado para a Infraestruturas de Portugal, destinados à recuperação urgente da rede ferroviária e rodoviária.
200 milhões de euros para autarquias via CCDR
Serão transferidos 200 milhões de euros para as CCDR, para financiamento urgente da recuperação de equipamentos e infraestruturas públicas locais, incluindo escolas.
20 milhões de euros para património cultural
Foi ainda aprovada uma verba de 20 milhões de euros para intervenções urgentes no património cultural afetado.
Isenção de portagens
O Governo decidiu isentar de portagens entre as 00h00 de 3 de fevereiro e 10 de fevereiro, no perímetro que abrangerá trechos da A8, A17, A14 e A19.
Num momento de tensão nas relações transatlânticas, o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, esteve na Comissão dos Assuntos Externos para esclarecer o papel da Aliança na garantia da segurança europeia, estabilidade no Ártico, em particular no que respeita a Gronelândia, e para o futuro das relações com a Administração Trump.
Sebastião Bugalho, vice-coordenador para os assuntos externos do Grupo PPE, questionou Rutte sobre o papel da Aliança na região do Ártico, num momento em que “os Estados Unidos estão a planear reforçar a sua presença numa lógica bilateral”. No atual cenário geopolítico, a União Europeia afirma-se como defensora do multilateralismo e de uma ordem internacional baseada em regras e, nesse sentido, Sebastião Bugalho alertou ainda para a possibilidade de termos uma “NATO a duas velocidades”.
Referindo-se às negociações entre o Secretário-Geral da NATO e Donald Trump durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, e às informações que foram sendo divulgadas sobre um possível acordo, o eurodeputado do PSD perguntou se, em algum momento, durante as negociações entre ambos, as garantias de segurança para a Ucrânia acordadas em Paris foram “colocadas em cima da mesa (…) utilizando-as como instrumento de pressão” para chegar a acordo sobre a Gronelândia.
Sobre a Estratégia para o Ártico apresentada na semana passada pela Presidente da Comissão Europeia, Bugalho deixou o repto ao Secretário-Geral da NATO, desafiando-o a pensar numa nova Estratégia para o Atlântico “com o objetivo de conter a frota fantasma russa, os atos de sabotagem de cabos submarinos e o crime organizado, nomeadamente o tráfico de droga e a migração ilegal”.
A eurodeputada Lídia Pereira apresentou um relatório de iniciativa sobre literacia financeira, defendendo uma nova abordagem europeia que articule educação, proteção do consumidor, digitalização e a União da Poupança e do Investimento.
O relatório, publicado em novembro, suscitou um elevado interesse político, tendo recebido 276 propostas, apresentadas pelas diferentes forças políticas com representação no Parlamento Europeu. Durante a sessão de apresentação e debate, na Comissão de Economia, vários deputados destacaram o caráter agregador do relatório e a sua relevância para responder a fragilidades estruturais no domínio da poupança, do investimento e da inclusão financeira.
Na sua intervenção, Lídia Pereira sublinhou que a literacia financeira na União Europeia continua a ser baixa, com “apenas cerca de 18% dos cidadãos a apresentarem um nível elevado”, o que limita a capacidade de poupança das famílias, agrava desigualdades e trava uma participação mais ativa nos mercados de capitais. Para a eurodeputada portuguesa, “mais literacia financeira é mais liberdade, mais responsabilidade e mais oportunidade para todos os europeus.”.
A proposta defende uma resposta europeia ambiciosa, prática e mensurável, centrada nas decisões do dia a dia das pessoas, promovendo conteúdos de literacia financeira ao longo da vida, desde a escola à formação profissional, e adaptados a diferentes momentos-chave, como o primeiro emprego, o acesso à habitação ou a reforma.
O relatório dá ainda especial atenção a grupos mais vulneráveis, como jovens, mulheres, cidadãos com menor escolaridade, pessoas com deficiência e microempreendedores, sublinhando que a literacia financeira é também um instrumento de coesão social.
Outro eixo central do relatório prende-se com a necessidade de reforçar a proteção do consumidor e simplificar o enquadramento regulatório, defendendo regras claras, acessíveis e proporcionais, bem como uma avaliação contínua do impacto da legislação europeia na promoção efetiva da literacia financeira. Neste contexto, a relatora propõe uma melhor coordenação de iniciativas existentes e a partilha de boas práticas a nível europeu.
O relatório aborda ainda o papel crescente do ambiente digital e dos chamados finfluencers, reconhecendo o seu potencial para democratizar o acesso à informação financeira, mas alertando para riscos como “conflitos de interesses, publicidade encapotada, desinformação e, crescentemente, fraudes com recurso a Inteligência Artificial e “deepfakes”. Lídia Pereira defendeu uma abordagem equilibrada, assente na aplicação efetiva da lei e no diálogo com plataformas, consumidores e criadores de conteúdo.
No encerramento do debate, a eurodeputada sublinhou que a literacia financeira deve ser entendida como um bem público europeu, essencial para a liberdade individual, a estabilidade das famílias e a competitividade da economia europeia, frisando que este relatório “não é um ponto de chegada, mas um primeiro passo para futuras iniciativas concretas”.
O Eurodeputado Paulo do Nascimento Cabral (PSD) foi nomeado o relator do Partido Popular Europeu (PPE), o maior grupo político do Parlamento Europeu, para o parecer legislativo da Comissão de Desenvolvimento Regional, para o Fundo Europeu de Competitividade.
Segundo o Eurodeputado, “a proposta prevê a agregação de 14 programas europeus existentes num único fundo, que representará cerca de 400 mil milhões de euros, ou 22% do futuro Quadro Financeiro Plurianual (QFP). O objetivo é reforçar a competitividade da União Europeia em setores e tecnologias estratégicas, através da simplificação de regras, da melhor coordenação do financiamento e de uma maior mobilização do investimento privado.”
Para Paulo do Nascimento Cabral, “a Europa precisa de um instrumento mais simples, mais eficiente e mais próximo das empresas, capaz de transformar investigação em produção e inovação em crescimento económico”.
Um dos pilares centrais da proposta é a criação de um fundo único com um regulamento comum, reduzindo custos administrativos e tornando o acesso ao financiamento mais rápido e previsível, em particular para empresas de menor dimensão. Para o Eurodeputado do PSD, “a fragmentação atual dos programas europeus cria sobreposições, complexidade e ineficiências. O Fundo Europeu de Competitividade deve corrigir isso, mas sem eliminar o respeito pela diversidade e aspetos específicos dos Estados-Membros, e oferecer um ambiente de financiamento mais favorável ao investimento e à inovação, com foco também nas PME. Não obstante, reconheço que será um enorme desafio manter uma certa coerência neste fundo que agora agrega, por exemplo, os fundos da defesa, saúde, militar, Life, ou mesmo de inovação”.
O relatório sublinha ainda a importância de garantir maior flexibilidade orçamental para responder a lacunas críticas, nomeadamente em mão-de-obra qualificada, competências e infraestruturas tecnológicas. “A União Europeia não tem um problema de criatividade pois somos quem tem mais patentes registadas, mas falta agora a transferência para as empresas, beneficiando os europeus com mais produtos e serviços inovadores”.
Paulo do Nascimento Cabral frisa também que “o instrumento de competitividade deve assentar em princípios de transparência, complementaridade em relação ao investimento nacional, evitando a duplicação de programas, e permanecer sujeito a uma fiscalização parlamentar robusta. A competitividade europeia deve caminhar a par com a coesão territorial. O Fundo deverá basear-se, como é óbvio, em critérios de mérito, mas tem de assegurar simultaneamente que nenhuma região fica para trás, através de sinergias com os fundos estruturais e de coesão e de uma distribuição geograficamente equilibrada”.
“Simplificação, flexibilidade e equilíbrio territorial são essenciais para tornar este fundo mais democrático e acessível e moldar o futuro da União Europeia”, conclui Paulo do Nascimento Cabral.
A Câmara de Vagos aprovou a proposta de orçamento municipal para 2026, que ronda os 30 milhões de euros e que regista uma diminuição de cerca de dois milhões de euros face ao ano anterior.
A proposta de orçamento foi aprovada por maioria na reunião do executivo municipal que decorreu na quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, contando com os votos a favor do PSD e os votos contra do CDS-PP e do Chega.
De acordo com esta autarquia do distrito de Aveiro, trata-se de “um orçamento de organização, reequilíbrio e preparação do futuro, que responde às exigências do presente, sem descurar aquilo que verdadeiramente conta: as pessoas, o território e a qualidade dos serviços públicos”.
“É também um orçamento de continuidade e de identidade. Integra-se num percurso de trabalho autárquico próximo das pessoas, das freguesias e do território, com investimento estruturante e planeamento”.
Apesar de 2026 “arrancar com constrangimentos financeiros reais: dívida vencida elevada, encargos mensais com juros significativos e despesas de funcionamento e compromissos transitados que comprimem a margem de manobra”, este orçamento “põe a casa em ordem para libertar o futuro”.
“Assenta em cinco opções de governação que definem o tom do mandato: transparência, rigor e cumprimento imediato da lei; redução da dívida e do prazo médio de pagamentos, para aliviar juros, recuperar reputação e devolver credibilidade ao Município; redução de custos de contexto e melhoria da eficiência interna; negociação e captação de financiamento externo; e arranque da execução do compromisso eleitoral de outubro de 2025”.
A Câmara de Vagos evidenciou que, nos próximos meses, a ação municipal será conduzida em três frentes essenciais, que passam pelo cumprimento de obrigações e reduzir a fatura dos juros; reorganização e racionalização das despesas de funcionamento; e aumento da margem para investimento.
“2026 será um ano de priorização e preparação forte da requalificação da rede viária” e de reforço dos pilares que “fazem comunidade e garantem oportunidades”.
Para a saúde está previsto “um reforço da articulação com o Estado e preparação de soluções que aproximem serviços do cidadão, incluindo a criação do Serviço Municipal de Saúde”, enquanto na educação pretendem fortalecer as condições para a comunidade educativa.
Já para a cultura preveem uma reprogramação sociocultural profunda e estruturada, com agenda identitária, inclusiva e inovadora, valorizando património, tradição e criação contemporânea. Está contemplado também “apoio consistente” ao movimento associativo.
Para a juventude estão previstas “políticas de oportunidade e participação, estímulo ao mérito e à inovação, reforçando a ligação dos jovens ao concelho”, e para a maioridade “políticas de dignidade, proximidade e combate ao isolamento, valorizando quem construiu o concelho”.
José Manuel Bolieiro, Presidente do PSD/Açores, enalteceu no sábado a importância “da escola cívica da Juventude Social Democrata” “na história da democracia portuguesa” e na “afirmação autonómica e política”.
José Manuel Bolieiro interveio na apresentação do livro “JSD/Açores – Uma escola política ao serviço da juventude”, que assinala os 45 anos de história daquela estrutura, da autoria do social-democrata José Andrade.
Perante uma plateia de jovens, em Ponta Delgada, manifestou “a elevada confiança no futuro da JSD, no futuro do PSD, no trabalho e na capacidade transformadora que o PSD e a JSD têm, em nome da liberdade, da democracia e da autonomia política dos Açores”.
“Esta geração tem muito para dar e já deu provas disso”, salientou.
O líder dos sociais-democratas sublinhou ainda que o evento marca o arranque da celebração dos 50 anos da Autonomia, uma vez que “o próprio PSD foi feito em nome da Juventude e com a Juventude, desde a sua fundação por João Bosco Mota Amaral, que é sempre um orgulho para mim e uma inspiração”.
Segundo José Manuel Bolieiro, “a existência da JSD é reveladora de sermos uma estrutura política, democrática e autonómica, de liberdade e de participação, com uma relação intergeracional; por isso, temos no nosso seio a JSD, que confirma esta relação intergeracional”.
“Ajudámos a conformar a Constituição da República Portuguesa e as suas revisões ao longo dos anos, modernizando-a e aproximando-a cada vez mais da social-democracia e da lógica do funcionamento democrático do país”, prosseguiu.
José Manuel Bolieiro considera, assim, que “João Bosco Mota Amaral é autor da mensagem mais estimulante e adequada ao espírito jovem”, acrescentando que “a Juventude é a expressão da nossa inquietude enquanto pessoas intelectualmente ativas”.
“É não se conformar com o adquirido, apesar de, em muitos casos, estarmos orgulhosos dessas conquistas. Mas é querer mais. E é por isso que o PSD tem uma visão da autonomia política, como também tem da democracia, na sua progressividade”, vincou. Aliás, acentuou, é através de Mota Amaral que surge o “conceito de Autonomia progressiva, colocando a Juventude no seu centro”, confiando na sua capacidade.
Por outro lado, José Manuel Bolieiro realçou também a importância “do papel dos séniores, pela serenidade do saber da experiência”, no encontro de todas as gerações “na construção do progresso”.
Dirigindo-se aos líderes da JSD nos Açores e a nível nacional, Luís Raposo e João Pedro Louro, salientou que estes “não são a voz do partido na juventude, mas, sobretudo, a referência ambiciosa e transformadora da Juventude na afirmação das políticas do PSD e da nossa governação”.
“Este livro não é apenas um registo do passado, é também um instrumento para o presente e um compromisso com o futuro — um convite à reflexão para quem hoje milita na JSD e uma herança para aqueles que hão de vir, para que saibam de onde vimos e compreendam melhor o caminho que devemos continuar”, concluiu José Manuel Bolieiro.
No lançamento do livro “JSD/Açores – Uma escola política ao serviço da juventude” falaram também o fundador do PSD/Açores, João Bosco Mota Amaral, o fundador da JSD/Açores, Joaquim Ponte, o líder da JSD nacional, João Pedro Louro, e o autor da obra, José Andrade.
Luís Raposo, líder da JSD/Açores desde 2021, manifestou-se “satisfeito pela mobilização da Juventude neste encontro”, demonstrando assim que “a social-democracia está bem”.
Luís Raposo salientou os princípios em que assenta a JSD, como a lealdade e a responsabilidade na relação com o PSD.
O social-democrata aponta que a obra traz o contributo de 13 líderes da JSD, que refletem as causas e os contributos de todas as gerações, todas com o mesmo propósito “de missão e de serviço para com a Juventude açoriana”.
Joaquim Machado, deputado do PSD/Açores, lembrou que o Governo Regional da Coligação PSD/CDS/PPM transformou 150 milhões de euros de dívida comercial em dívida financeira em 2025, valor equivalente à dívida a fornecedores da Saúde deixada pelos governos do PS. Nesse sentido, os socialistas “não têm autoridade política ou moral” para falar sobre contas públicas.
“O que verdadeiramente devia ser notícia hoje não é o alarmismo artificial do PS sobre o défice, mas o facto de os governos socialistas terem deixado cerca de 150 milhões de euros de dívidas a fornecedores da Saúde quando saíram do poder. Um partido que governou assim não tem qualquer autoridade política ou moral para dar lições sobre as contas públicas regionais”, afirmou.
Segundo o parlamentar social-democrata, “no final de 2020, último ano da governação socialista, estavam registados mais de 145 milhões de euros em dívida a fornecedores da Saúde, a que acresciam mais de quatro milhões em faturas escondidas, incluindo dívidas do Hospital de Ponta Delgada às Casas de Saúde”.
“Esta é a herança real do PS nas finanças públicas da Região. Durante anos, os governos socialistas foram acumulando dívidas, atrasando pagamentos e tolerando faturas por registar, empurrando o problema com a barriga para manter uma imagem artificialmente tranquila das contas públicas, à custa de fornecedores e instituições”, frisou.
O deputado social-democrata salientou que “o atual Governo da Coligação PSD/CDS/PPM fez aquilo que o PS nunca quis fazer: assumir a realidade, limpar as contas e pagar o que estava por pagar”.
Para Joaquim Machado, “com a transformação de 150 milhões de euros de dívida comercial em dívida financeira, o Governo Regional pôs em dia dívidas acumuladas desde 2014, grande parte delas no Serviço Regional de Saúde, permitindo que os fornecedores fossem finalmente pagos”.
“Quando o PS fala em ‘agravamento do défice’, está a criticar precisamente o facto de este Governo da Coligação ter decidido pagar as dívidas que os socialistas deixaram para trás. É fácil ter um défice mais baixo quando se escondem problemas, se atrasam pagamentos e se varrem faturas para debaixo do tapete. O difícil, mas responsável, é assumir a verdade das contas e honrar os compromissos”, disse.
Joaquim Machado acrescentou que “os açorianos sabem distinguir entre quem cria dívidas e quem as paga”.
“O Partido Socialista prefere títulos alarmistas para tentar apagar a memória da sua gestão caótica das contas públicas, mas a verdade é só uma: foi o PS que deixou 150 milhões de euros de dívidas a fornecedores e foi o Governo da Coligação PSD/CDS/PPM que as pagou”, remata.
O défice registado em 2025, lembra ainda o deputado social-democrata, é ligeiramente inferior ao previsto no Orçamento Regional, aprovado na Assembleia Legislativa, o qual previa, precisamente, a transformação de 150 milhões de euros de dívida comercial em dívida financeira e um endividamento líquido de 75 milhões, valor este que ficou aquém do autorizado pelo Parlamento.
Convocatórias submetidas no SIGMO (área reservada) até às 23h59 de terça-feira
Texto
RECEPÇÃO SEGUNDA-FEIRA ATÉ ÀS 18H00 | Email: jsdnacional@gmail.com
Ao abrigo dos Estatutos Nacionais da JSD e demais regulamentos aplicáveis, convocam-se os militantes da JSD Mafra para se reunirem em Plenário, no dia 14 de fevereiro de 2026 (sábado), pelas 17h00, na sede, situada no Terreiro D. João V, n.º 61, 2.º Andar, 2640 – 492 Mafra, com a seguinte ordem de trabalhos:
Ao abrigo dos Estatutos Nacionais da JSD e Regulamentos aplicáveis, convocasse Assembleia de Militantes da Concelhia de Odivelas para reunir no dia 18 de fevereiro de 2026, pelas 21h, na Sede do PSD Odivelas, sita na Rua Combatentes do Ultramar 20B, 2675-232, Odivelas, com a seguinte ordem de trabalhos:
Diretora: Emília Santos
Periodicidade: Semanal
Registo na ERC n.º 105690
Propriedade: PSD Partido Social Democrata
Identificação Fiscal: 500835012
Sede de Redação/Editor: Rua de S. Caetano, n.º 9, 1249-087 LISBOA