Quais são, neste momento, as principais prioridades do Secretariado das Comunidades Portuguesas do PSD?
Há muitas tarefas a médio prazo, infelizmente, não sei se as conseguiremos realizar atempadamente, mas destaco três: primeiro, reorganizar nossas Secções na Europa e Fora da Europa; depois, retomar a confiança e a disponibilidade dos nossos militantes que residem no estrangeiro; e, em terceiro lugar, aproximarmos o PSD das nossas Comunidades, para que a confiança que sempre nos empenharam seja recuperada.
Que balanço faz da atividade desenvolvida pelo Secretariado desde que assumiu a responsabilidade da coordenação?
Assumi, efetivamente, em novembro de 2025, e não tenho fórmulas prontas de sucesso para o PSD nas Comunidades. Quero que isso seja um projeto vitorioso, mas por meio da participação de todos; o PSD nas Comunidades necessita mesmo de mais atenção, de mais diálogo; esta será a minha atuação nestes primeiros meses. Quando, em novembro, Ricardo Carvalho, Secretário-geral Adjunto, atribuiu-me a tarefa de organizar os ficheiros com documentação e contatos dos nossas Secções e dirigentes, percebi que “partiria do zero”. Após isso com sucesso, começámos a realizar reuniões com nossos militantes para, em fevereiro deste ano, conseguirmos eleger e regularizar quase todas as nossas Secções no estrangeiro. Depois, em maio, reintroduzimos nessa grande rede das Comunidades mais duas Secções, que estavam desativadas há anos e conseguimos reunir para o Congresso de junho o maior grupo de delegados pelas Comunidades desde 2018.
Que atividades, encontros ou projetos estão previstos para os próximos meses e que mensagem gostaria de deixar às comunidades portuguesas?
Algumas tarefas estão programadas; vamos reorganizar os cadernos de militantes nas Comunidades, a começar pelos falecidos, pois isso nunca foi feito. É necessário conhecer a dimensão real da nossa militância. Também estamos a incentivar que nossas Secções busquem aumentar o número de seus integrantes; precisamos retomar a nossa posição de maior partido nas Comunidades e isso inicia-se com a militância, especialmente com jovens e mulheres que são número reduzido em todas as Secções. Também retomaremos um projeto suspenso desde 2019: o nosso Encontro das Comunidades na Europa e que ocorrerá no Luxemburgo no dia 25 de setembro de 2026. Também queremos que a direção do PSD visite as Comunidades para um diálogo frontal e para que se perceba diretamente o que devemos e não fazemos por quem vive no estrangeiro.
Como é que o Secretariado procura manter um contacto regular e próximo com os portugueses residentes no estrangeiro e com as estruturas do PSD nas comunidades?
Em que pese eu ser oriundo dessa “área”, será preciso conquistar a confiança das Secções, não há dúvida. O contacto regular é um grande desafio e ainda bem que estou nessa função, agora com tantas ferramentas tecnológicas que permitem “estar cara a cara” com os dirigentes das Secções. Além disso, está estabelecido um programa de visitas a essas estruturas com o Secretário-geral Hugo Soares, com o Secretário-geral Adjunto Ricardo Carvalho e com mais outros dirigentes e deputados do PSD.
Quais são as principais preocupações que tem ouvido junto das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo? Há problemas comuns a diferentes países?
Há reclamações a partir de duas origens: uma é o distanciamento das estruturas do PSD nos últimos anos e isso foi por mim observado quando, ao consultar os ficheiros dos militantes no estrangeiro, percebi que em torno de 95% já estavam no PSD em 2014, ou seja, não crescemos nesses 12 anos e isso decorre da confiança que diminuiu com relação ao partido no estrangeiro, para além de outras forças ocuparem grupos que tradicionalmente eram e são nossos; precisamos recuperá-los. A outra decorre da percepção de que somos Governo há mais de dois anos e ainda não conseguimos demonstrar às Comunidades que estamos a trabalhar por elas e médio e a longo prazo. Precisamos mesmo de passar à concretização com atos e decisões que sejam recebidos por quem reside no estrangeiro como algo positivo e feito pelo Governo, a pensar nessas pessoas ou continuaremos a perdê-las.
Na sua perspetiva, que medidas deveriam ser prioritárias para reforçar a ligação entre Portugal e a diáspora portuguesa?
Primeiro, não haver retrocesso social com limitações de direitos pelo simples facto de viver fora de Portugal. Segundo, fazer funcionar melhor os Postos Consulares que durante anos sofreram limitações em diversos Governos e, hoje, paga-se essa conta. Terceiro, estar mais próximo das Comunidades, reconhecer a sua diversidade, pois cada vez mais haverá portugueses nascidos no estrangeiro a lutar pelo que chamamos de Portugalidade.
O voto dos emigrantes e a participação cívica continuam a ser temas muito debatidos. O que considera que ainda pode ser feito para aumentar a participação eleitoral dos portugueses no estrangeiro?
Alterações constitucionais e legais são do âmbito da Assembleia da República e o nosso Grupo Parlamentar PSD deve ser protagonista nisso: admitir o voto postal para outras eleições (para a Presidência da República, por exemplo), realizar o teste não vinculativo de voto eletrónico descentralizado, que foi objeto de um Projeto de Resolução aprovado em fevereiro de 2025, quando eu ainda estava na AR e que teve o voto contrário somente do PS. Realizar uma permanente sensibilização à participação cívica, utilizando-se, também, das redes associativa, empresarial, entre outras; não se deve tratar disso somente a 60 dias da próxima eleição. Também, no âmbito do Governo, atribuir competências onde há cônsul honorário a mais de 200 quilómetros do Posto Consular, para que possa haver uma mesa de votação, “encurtando as distâncias”.
Que papel podem desempenhar as novas gerações de luso-descendentes na preservação da língua, da cultura e da ligação a Portugal?
A questão é fundamental. Lembremo-nos que a língua sempre foi um fator de união e de manutenção de grandes territórios. A língua portuguesa tem importância histórica e contemporânea e ganha importância internacional. Os luso-descendentes deveriam ser reconhecidos pela manutenção e utilização de nossa língua em quase todos os lugares do mundo. Talvez a criação, pelo Conselho de Ministros, de um programa de reconhecimento e incentivo a boas práticas realizadas nas Comunidades para a língua portuguesa na vertente da ancestralidade, do vínculo histórico-cultural, seja uma ideia a pensar e desenvolver.
De que forma o Secretariado das Comunidades Portuguesas pode contribuir para que as preocupações dos emigrantes tenham maior peso nas decisões políticas nacionais?
Pergunta bastante interessante, mas que depende de outros fatores na equação. Sensibilizar a Comissão Política Nacional, dirigentes, que as Comunidades terão um peso político cada vez maior e somente quem olha para o passado não percebe isso. Hoje já somos mais de 1.800.000 eleitores fora de Portugal. Tenho-me alertado para isso em diversos encontros, reuniões e mesmo à distância. Sei que acabarei por responder em caso de algum futuro resultado eleitoral ruim (mesmo que isso não seja novidade últimos anos), mas estarei com a consciência tranquila, pois tenho trabalhado e esforçado para levar o PSD nas Comunidades a um bom porto.
Se tivesse de escolher uma grande meta para o trabalho do Secretariado até ao final do corrente mandato, qual seria?
Internamente, nos próximos dois anos, aumentar em 30% o número de Secções e de militantes, com mais jovens e mulheres na direção das nossas Secções.